Saturday, July 02, 2011

Em um dos meus sonhos, um gênio saiu de uma garrafa de coca-cola disposto a me oferecer um desejo, um apenas foi o acordo. Com a convicção de um sonhador, dei inicio a um monólogo que todo fim de noite declamo a mim mesmo:

- Ah seu gênio, que bom que você apareceu, a felicidade já me parecia coisa de outro mundo e já que tenho direito a um desejo eu adoraria ser presenteado com um alguém que sinta minha falta, que viva bem sem mim, mas que acredite que ao meu lado a vida é melhor. Que curta bons livros e venha até mim empolgada contando como as últimas páginas foram surpreendentes. Quero vê-la entretida no cinema, a cada nova cena que o diretor levou horas pra produzir. Que ela seja eclética e dance a qualquer som. Quero alguém que sorria das minhas piadas infantis e até acrescente a meu arsenal uma mais boba ainda. Quero que ela seja livre e me mostre num vôo alto o que estou perdendo, trancafiado nas asas dos meus pais. Quero que ela tenha defeitos, para que eu acredite que ela é real. Quero sentir que cada palavra cuspida de sua boca chegue aos meus ouvidos como uma canção e que ao seu lado todos os dias tenham gosto de sábado. Quero desde hoje ter saudade do futuro que ainda não vivemos. Mas agora é hora de calar meu coração e pedir o que é melhor pra mim. Seu gênio meu desejo é paz de espírito, entrelace permanentemente minha solidão com a felicidade e após isso se for seu desejo suma, desapareça, curta sua liberdade!

Acordei nesse instante. Sozinho numa cama de casal, com um sorriso de quem não tem dúvidas que o divórcio foi a decisão mais acertada.

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