Tuesday, October 11, 2011

Imperfeições


Ontem tive uma discussão com minha mãe (mais uma), mas daquelas bem bobas, nada demais.
Só que pra meu pesar, meu lado juiz ficou remoendo quem estava certo e quem estava errado, dando como veredicto
a minha culpa.
Foi aí que mais um pensamento me absteu de tudo, na verdade era uma ideia, uma ideia recorrente de mudança.
Ser mais paciente, ouvir mais, falar menos, encontrar a serenidade e todo esse blá blá blá que, acredito eu, todos nós
já pensamos uma vez na vida. Foi então que me coloquei como expectador de mim mesmo e quer saber, percebi que eu sou assim, chato, implicante, falante, palhaço e não há necessidade de mudanças, todos temos nossos defeitos, é normal ter defeitos, minha mãe tem, minha namorada tem, minhas irmãs têm, é natural do ser humano ter defeitos e é por isso que hoje resolvi
escrever esse texto no bloco de notas, para que o word não corrija cada palavra minha na busca de tentar me tornar o que eu não sou: PERFEITO!

Saturday, July 23, 2011

ZzZzZzZ


A casa fica silenciosa, as cadeiras estalam, o ventilador ruge, pupilas dilatadas. Ligo, desligo, religo a tv, mas os donos da telinha nao brigam por audiência as 1 hora da manhã.
Pego o celular... pra que? Ligo a luz... pra que? Ja sei, vou lanchar! E dessa vez o estômago é quem diz: pra que? Na rua os cachorros latem, os grilos cantam e eu no quarto experimento mudar de posição. A cabeça pra lá, quem sabe? A perna dobrada, será que funciona? Até que Morfeu sente pena e injeta em minha mente uma quantidade de sono que fará as 12 da tarde parecerem 6 da manhã!

Monday, July 04, 2011

O diâmetro da solidão

Léo se dizia frio, indomável e independente. Cursava direito, dominava as palavras e todos admiravam o bom humor que ele demonstrava fronte aos problemas da vida.

Ele pediu uma bomba, ela um folhado. E ficaram lá, um despindo o outro com os olhos. Entre uma mordida e um gole de refrigerante o destino tramava se ela deixaria a carteira cair ou se faltaria a Léo algumas moedas para completar o preço do lanche. O destino optou pela segunda, vai vê porque sugeria um segundo “encontro”. Léo faria questão de outrora devolver aqueles trocados.

Dois meses de felicidade plena, sorriso nos rosto, na boca, nos olhos e nas notas que decaíam. Ele mergulhou, nadou, perdeu o fôlego inúmeras vezes. Ela com suas frases prontas e citações o alertou do seu jeito espontâneo que andava lado a lado com a inconstância.

Em um programa que já estava se tornando rotina o fim o fez desejar ter ficado em casa. Ela segurou sua mão e disse em um tom que não deixava dúvidas, era o fim.

Mas o que fazer quando não se deseja o fim? O frio, indomável e independente chorou, bebeu, dançou, conversou, esperneou, mas aprendeu que o começo e o fim, independente do caminho, sempre se interligam.

Saturday, July 02, 2011

Em um dos meus sonhos, um gênio saiu de uma garrafa de coca-cola disposto a me oferecer um desejo, um apenas foi o acordo. Com a convicção de um sonhador, dei inicio a um monólogo que todo fim de noite declamo a mim mesmo:

- Ah seu gênio, que bom que você apareceu, a felicidade já me parecia coisa de outro mundo e já que tenho direito a um desejo eu adoraria ser presenteado com um alguém que sinta minha falta, que viva bem sem mim, mas que acredite que ao meu lado a vida é melhor. Que curta bons livros e venha até mim empolgada contando como as últimas páginas foram surpreendentes. Quero vê-la entretida no cinema, a cada nova cena que o diretor levou horas pra produzir. Que ela seja eclética e dance a qualquer som. Quero alguém que sorria das minhas piadas infantis e até acrescente a meu arsenal uma mais boba ainda. Quero que ela seja livre e me mostre num vôo alto o que estou perdendo, trancafiado nas asas dos meus pais. Quero que ela tenha defeitos, para que eu acredite que ela é real. Quero sentir que cada palavra cuspida de sua boca chegue aos meus ouvidos como uma canção e que ao seu lado todos os dias tenham gosto de sábado. Quero desde hoje ter saudade do futuro que ainda não vivemos. Mas agora é hora de calar meu coração e pedir o que é melhor pra mim. Seu gênio meu desejo é paz de espírito, entrelace permanentemente minha solidão com a felicidade e após isso se for seu desejo suma, desapareça, curta sua liberdade!

Acordei nesse instante. Sozinho numa cama de casal, com um sorriso de quem não tem dúvidas que o divórcio foi a decisão mais acertada.

Thursday, June 23, 2011

Há quem segure os livros em um ônibus lotado, há aqueles que sorriem e dizem bom dia às cobradoras e há ainda uma minoria que faz as duas coisas. Ele não, pelo contrário vivia emburrado. Como um vampiro que detesta a luz do sol, toda manhã ele exibia ao mundo um mau humor de parar o trânsito já engarrafado.

Foi numa dessas que ele sentou ao lado de uma otimista nata. Ela ouvia, através de um fone branco, uma música eletrônica que podia ser transcrita pelo passageiro do fundo que por sinal não falava inglês. Ele agüentou firme por algumas paradas, até que a cutucou. Houve um pequeno diálogo, ela foi impassivelmente simpática, pediu desculpas, comentou o porquê de ouvir música em um volume tão alto, logo tão cedo. Ela falou, comentou e irradiou luz com um sorriso impagável de quem ama a vida.

Mas com aqueles óculos escuros, que escondiam não só olheiras, mas também indiferença pela conversa ofertada, ele não pôde enxergar que todos os dias ele nega a sua natureza de ser humano.

Platonismo


Uma confusão de ideias tremenda. De brega a rock, falando de amor ele lembra dela. O refrigerante que aparece na novela, o video game que o grupo de garotos comentam na rua, até uma folha caída em forma de S, o faz lembrar uma piada contada por ela e que já era pra ter sido esquecida. Uma confusão de ideias. Pensamento que vagueia, duplicidade tamanha ao ponto de discordar de Newton, um corpo pode sim ocupar dois lugares no espaço. E lá do outro lado da cidade, ela. Sentada, deitada, com roupa, sem roupa, mas sem dúvidas lidando com a mesma confusão de ideias!

Saturday, May 07, 2011


Mãe , quando crescer quero ser smart, assim como você. Quero ter a lábia que você tinha para contornar a situação quando precisava faltar serviço para tratar as minhas febres, quero ter sua habilidade de assistir àqueles filmes infantis um milhão de vezes sem reclamar, quero aprender como dividir meu horário de almoço entre almoçar e checar a lancheira do meu filho, quero ter o poder inexplicável de estar em todos os lugares que me filho precisar... Ah mãe, não preciso nem ser tão bonito, educado ou simpático como você é, mas smart sim, isso eu quero ser!