Saturday, July 23, 2011

ZzZzZzZ


A casa fica silenciosa, as cadeiras estalam, o ventilador ruge, pupilas dilatadas. Ligo, desligo, religo a tv, mas os donos da telinha nao brigam por audiência as 1 hora da manhã.
Pego o celular... pra que? Ligo a luz... pra que? Ja sei, vou lanchar! E dessa vez o estômago é quem diz: pra que? Na rua os cachorros latem, os grilos cantam e eu no quarto experimento mudar de posição. A cabeça pra lá, quem sabe? A perna dobrada, será que funciona? Até que Morfeu sente pena e injeta em minha mente uma quantidade de sono que fará as 12 da tarde parecerem 6 da manhã!

Monday, July 04, 2011

O diâmetro da solidão

Léo se dizia frio, indomável e independente. Cursava direito, dominava as palavras e todos admiravam o bom humor que ele demonstrava fronte aos problemas da vida.

Ele pediu uma bomba, ela um folhado. E ficaram lá, um despindo o outro com os olhos. Entre uma mordida e um gole de refrigerante o destino tramava se ela deixaria a carteira cair ou se faltaria a Léo algumas moedas para completar o preço do lanche. O destino optou pela segunda, vai vê porque sugeria um segundo “encontro”. Léo faria questão de outrora devolver aqueles trocados.

Dois meses de felicidade plena, sorriso nos rosto, na boca, nos olhos e nas notas que decaíam. Ele mergulhou, nadou, perdeu o fôlego inúmeras vezes. Ela com suas frases prontas e citações o alertou do seu jeito espontâneo que andava lado a lado com a inconstância.

Em um programa que já estava se tornando rotina o fim o fez desejar ter ficado em casa. Ela segurou sua mão e disse em um tom que não deixava dúvidas, era o fim.

Mas o que fazer quando não se deseja o fim? O frio, indomável e independente chorou, bebeu, dançou, conversou, esperneou, mas aprendeu que o começo e o fim, independente do caminho, sempre se interligam.

Saturday, July 02, 2011

Em um dos meus sonhos, um gênio saiu de uma garrafa de coca-cola disposto a me oferecer um desejo, um apenas foi o acordo. Com a convicção de um sonhador, dei inicio a um monólogo que todo fim de noite declamo a mim mesmo:

- Ah seu gênio, que bom que você apareceu, a felicidade já me parecia coisa de outro mundo e já que tenho direito a um desejo eu adoraria ser presenteado com um alguém que sinta minha falta, que viva bem sem mim, mas que acredite que ao meu lado a vida é melhor. Que curta bons livros e venha até mim empolgada contando como as últimas páginas foram surpreendentes. Quero vê-la entretida no cinema, a cada nova cena que o diretor levou horas pra produzir. Que ela seja eclética e dance a qualquer som. Quero alguém que sorria das minhas piadas infantis e até acrescente a meu arsenal uma mais boba ainda. Quero que ela seja livre e me mostre num vôo alto o que estou perdendo, trancafiado nas asas dos meus pais. Quero que ela tenha defeitos, para que eu acredite que ela é real. Quero sentir que cada palavra cuspida de sua boca chegue aos meus ouvidos como uma canção e que ao seu lado todos os dias tenham gosto de sábado. Quero desde hoje ter saudade do futuro que ainda não vivemos. Mas agora é hora de calar meu coração e pedir o que é melhor pra mim. Seu gênio meu desejo é paz de espírito, entrelace permanentemente minha solidão com a felicidade e após isso se for seu desejo suma, desapareça, curta sua liberdade!

Acordei nesse instante. Sozinho numa cama de casal, com um sorriso de quem não tem dúvidas que o divórcio foi a decisão mais acertada.